sábado, 5 de outubro de 2013

A primeira queda a gente nunca esquece.



A palavra mãe tem vários significados. CANSAÇO é um deles! Nossa, é uma coisa que nos acompanha tão de perto, tão colado, que passa a fazer parte de quem somos. Vira quase um traço de personalidade. E de tão cansadas, muitas vezes sofremos apagões!


Foi o que aconteceu comigo essa semana.


Meu filho tem 9 meses e ainda acorda bastante durante a noite. Coisa rápida. Acorda chorando, eu levanto, pego ele no berço, ele mama, dorme, eu coloco ele no berço novamente e volto a dormir.


Há um tempo deixei de amamentá-lo na cadeira durante a madrugada, pois de tão cansada adormecia com ele no braço e tinha medo que em um descuido, ou golpe de azar do sono ele acabasse caindo. Seguindo o conselho da minha mãe, o levava para mamar na minha cama, pois caso eu adormecesse e ele rolasse dos meus braços parava na cama.


Pois bem. Essa semana aconteceu tudo como todos os dias. Ele acordou chorando, eu levantei, o peguei no berço, ele mamou, dormiu, eu o coloquei no berço de novo. Voltei pra minha cama, assisti um pouco de televisão, dormi. Pronto! A partir daí não lembro mais nada até a hora que fui acordada com o choro dele, já no chão!


Não me lembro de ter escutado ele chorando de novo, nem de ter levantado, muito menos de ter amamentado... Faço o maior esforço desde o dia, mas não lembro de nada! O cansaço era tanto que devo ter feito tudo isso com o piloto automático ligado. Ele deve ter mamado, ter ficado acordado e saído engatinhando pela cama. Que perigo!


Mas lembram que eu falei que a palavra MÃE tem vários sinônimos? Um deles com certeza é INTUIÇÃO. Pois mesmo sem lembrar nada, sem nem saber que ele estava na cama, quando acordei escutando seu choro, veio na hora na minha cabeça o pensamento: “Meu Deus! Ele caiu!”. Levantei e fui EXATAMENTE onde ele havia caído.


Alisei, apertei, procurei galo, hematoma, corte e graças a Deus não tinha acontecido nada mais sério. Ele se acalmou assim que eu o peguei, o deixei acordado um pouco, depois ele mamou e dormiu na maior tranqüilidade. No outro dia estava alegre, brincalhão, engatinhando tudo, subindo nos móveis, desarrumando a casa (ou arrumando do jeito dele), como se nunca tivesse caído na vida.


E eu? Bom, quer saber outro sinônimo de mãe? CULPA! Estava arrasada! Culpada e me achando a mãe mais inútil e irresponsável da face da terra.


Depois vi, conversando com minhas amigas e minha mãe, que a única coisa que muda é quando o bebê cai da cama, pois parece ser regra todos os bebês caírem um dia. Segundo uma grande amiga psicóloga, é como se fosse um marco, uma passagem de fase. Deve ser mesmo!


Bom, estou aqui, agora calma e pensando no que fazer para não dormir mais. Talvez amamentar andando pela casa quando for de madrugada... ou dançando... ou decorando as músicas da Galinha Pintadinha...

7 comentários:

  1. Me deliciando com o seus textos Quel!
    Admiro essa leveza, com pitadas de bom humor, que você emprega para falar dessa maravilhosa e árdua missão de ser mãe!
    Apesar de ainda estar apenas no estágio de TIA, imagino o quão cansativo deva ser doar toda a atenção e energia para o desenvolvimento de um pequeno tão importante (e lindoooo!). Mas tenho certeza que a felicidade supera esse cansaço.
    Ah, e quanto à culpa: deixa isso pra lá, afinal: se os psicólogos consideram um marco a queda da cama, então é pq de alguma forma é importante pro filho e pra mãe passar por essa experiência, que assusta, claro, mas, nesse caso, graças a Deus não passou de um susto!
    Amo vocês!
    Rute

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  2. A culpa é decorrência da exigência (nossa e dos outros) de sermos perfeitas, Quel! Acima de nós, mães, somente Deus?!?! ;)

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    1. Também acho isso, Ju. E isso é fruto de uma sociedade machista, que mesmo tendo melhorado, ainda mostra sua cara em muitas coisas. Nós mulheres conquistamos muitos direitos, como o de trabalhar fora. Mas esse direito veio com uma condição: a de não deixarmos o trabalho de casa ser afetado. Por isso sofremos muitas críticas! Isso é um machismo (nem tão) mascarado. Injusto isso, né? Ser perfeita é uma obrigação muito cruel...

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  3. Quel, sempre acho interessante o fato dessa responsabilidade quase heroica recair sobre a mãe. Como vi na sua resposta a Ju, realmente é fruto de uma sociedade machista e muito exigente com as mulheres.
    Quanto a queda, gosto de ver como uma das muitas experiências que ele vai passar e vc não vai poder protegê-lo (talvez seja um pequeno exercício rsrsr). Sejam elas positivas ou negativas, estimulantes ou frustrantes, que tragam alegria ou sofrimento... Mesmo vc sofrendo junto, vai fazer parte do crescimento e desenvolvimento dele e só dele.
    A culpa? É difícil ignorá-la, mas esquece pq vc é uma mãe exemplar, em quem me espelho muito!!
    Bj
    P.S.: finalmente consegui comentar rsrsrs

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  4. Pois é, Pri, deve ser mesmo um pequeno exercício. E sabe o que é mais mágico?? A gente perceber que eles passam por esses momentos, esses conflitos, com muito mais tranqüilidade e leveza que a gente!

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  5. Pois é desespero também meu, comigo aconteceu 4 quedas por situações completamente diferentes. Na hora, socorro, olho tudo sou a forte, porém após 2 minutos caio em prantos, me tremo toda. E como sempre me culpo!!!

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