A palavra mãe tem vários
significados. CANSAÇO é um deles! Nossa, é uma coisa que nos acompanha tão de
perto, tão colado, que passa a fazer parte de quem somos. Vira quase um traço
de personalidade. E de tão cansadas, muitas vezes sofremos apagões!
Foi o que aconteceu comigo essa
semana.
Meu filho tem 9 meses e ainda acorda
bastante durante a noite. Coisa rápida. Acorda chorando, eu levanto, pego ele
no berço, ele mama, dorme, eu coloco ele no berço novamente e volto a dormir.
Há um tempo deixei de amamentá-lo
na cadeira durante a madrugada, pois de tão cansada adormecia com ele no braço e
tinha medo que em um descuido, ou golpe de azar do sono ele acabasse caindo. Seguindo
o conselho da minha mãe, o levava para mamar na minha cama, pois caso eu adormecesse
e ele rolasse dos meus braços parava na cama.
Pois bem. Essa semana aconteceu
tudo como todos os dias. Ele acordou chorando, eu levantei, o peguei no berço,
ele mamou, dormiu, eu o coloquei no berço de novo. Voltei pra minha cama, assisti
um pouco de televisão, dormi. Pronto! A partir daí não lembro mais nada até a
hora que fui acordada com o choro dele, já no chão!
Não me lembro de ter escutado ele
chorando de novo, nem de ter levantado, muito menos de ter amamentado... Faço o
maior esforço desde o dia, mas não lembro de nada! O cansaço era tanto que devo
ter feito tudo isso com o piloto automático ligado. Ele deve ter mamado, ter ficado
acordado e saído engatinhando pela cama. Que perigo!
Mas lembram que eu falei que a palavra
MÃE tem vários sinônimos? Um deles com certeza é INTUIÇÃO. Pois mesmo sem
lembrar nada, sem nem saber que ele estava na cama, quando acordei escutando seu
choro, veio na hora na minha cabeça o pensamento: “Meu Deus! Ele caiu!”.
Levantei e fui EXATAMENTE onde ele havia caído.
Alisei, apertei, procurei galo,
hematoma, corte e graças a Deus não tinha acontecido nada mais sério. Ele se
acalmou assim que eu o peguei, o deixei acordado um pouco, depois ele mamou e
dormiu na maior tranqüilidade. No outro dia estava alegre, brincalhão,
engatinhando tudo, subindo nos móveis, desarrumando a casa (ou arrumando do
jeito dele), como se nunca tivesse caído na vida.
E eu? Bom, quer saber outro
sinônimo de mãe? CULPA! Estava arrasada! Culpada e me achando a mãe mais inútil
e irresponsável da face da terra.
Depois vi, conversando com minhas
amigas e minha mãe, que a única coisa que muda é quando o bebê cai da cama,
pois parece ser regra todos os bebês caírem um dia. Segundo uma grande amiga
psicóloga, é como se fosse um marco, uma passagem de fase. Deve ser mesmo!
Bom, estou aqui, agora calma e
pensando no que fazer para não dormir mais. Talvez amamentar andando pela casa
quando for de madrugada... ou dançando... ou decorando as músicas da Galinha
Pintadinha...
Me deliciando com o seus textos Quel!
ResponderExcluirAdmiro essa leveza, com pitadas de bom humor, que você emprega para falar dessa maravilhosa e árdua missão de ser mãe!
Apesar de ainda estar apenas no estágio de TIA, imagino o quão cansativo deva ser doar toda a atenção e energia para o desenvolvimento de um pequeno tão importante (e lindoooo!). Mas tenho certeza que a felicidade supera esse cansaço.
Ah, e quanto à culpa: deixa isso pra lá, afinal: se os psicólogos consideram um marco a queda da cama, então é pq de alguma forma é importante pro filho e pra mãe passar por essa experiência, que assusta, claro, mas, nesse caso, graças a Deus não passou de um susto!
Amo vocês!
Rute
Valeu, Rutinha!! E leia e comente mais!
ExcluirA culpa é decorrência da exigência (nossa e dos outros) de sermos perfeitas, Quel! Acima de nós, mães, somente Deus?!?! ;)
ResponderExcluirTambém acho isso, Ju. E isso é fruto de uma sociedade machista, que mesmo tendo melhorado, ainda mostra sua cara em muitas coisas. Nós mulheres conquistamos muitos direitos, como o de trabalhar fora. Mas esse direito veio com uma condição: a de não deixarmos o trabalho de casa ser afetado. Por isso sofremos muitas críticas! Isso é um machismo (nem tão) mascarado. Injusto isso, né? Ser perfeita é uma obrigação muito cruel...
ExcluirQuel, sempre acho interessante o fato dessa responsabilidade quase heroica recair sobre a mãe. Como vi na sua resposta a Ju, realmente é fruto de uma sociedade machista e muito exigente com as mulheres.
ResponderExcluirQuanto a queda, gosto de ver como uma das muitas experiências que ele vai passar e vc não vai poder protegê-lo (talvez seja um pequeno exercício rsrsr). Sejam elas positivas ou negativas, estimulantes ou frustrantes, que tragam alegria ou sofrimento... Mesmo vc sofrendo junto, vai fazer parte do crescimento e desenvolvimento dele e só dele.
A culpa? É difícil ignorá-la, mas esquece pq vc é uma mãe exemplar, em quem me espelho muito!!
Bj
P.S.: finalmente consegui comentar rsrsrs
Pois é, Pri, deve ser mesmo um pequeno exercício. E sabe o que é mais mágico?? A gente perceber que eles passam por esses momentos, esses conflitos, com muito mais tranqüilidade e leveza que a gente!
ResponderExcluirPois é desespero também meu, comigo aconteceu 4 quedas por situações completamente diferentes. Na hora, socorro, olho tudo sou a forte, porém após 2 minutos caio em prantos, me tremo toda. E como sempre me culpo!!!
ResponderExcluir