Sempre ouvi minhas amigas falarem
de como foi difícil voltar ao trabalho depois da licença maternidade. Mas não
imaginava que era tãããão difícil.
Como funcionária pública, tenho
direito a seis meses de licença maternidade. Ainda tinha férias para tirar,
então ao total fiquei sete meses afastada do trabalho me dedicando
exclusivamente à maravilhosa tarefa de ser mãe. Muito tempo grudadinha no
rebento.
Passei todo o período da licença
expulsando os pensamentos que vez ou outra vinham em minha mente sobre o
momento do meu retorno. Até que chegou o último mês, a última quinzena, a
última semana... Aí não dava mais. Tinha que encarar. Tentei me preparar, li artigos na internet, conversei, fiz preces, pedi socorro na internet de novo. Tudo!
O primeiro dia foi terrível!
Chorei muito pra sair de casa e ainda fiz meu marido e minha mãe chorarem
junto. Meu filho, coitado, nos olhava com aquela carinha de “o que é que tá acontecendo?”.
Mas saí. Juntei forças, peguei o carro e fui. Chorando... Mas fui.
Chego ao trabalho, uma
maravilhosa recepção dos meus colegas. Que
tornou tudo um pouco mais fácil. Bom saber que sentiram nossa falta! Mas mesmo
assim foi muito esquisito. Me senti uma estranha no ninho, mesmo estando nesse
ninho há mais de seis anos. Olhava em volta, lia os relatórios, via os calendários
das reuniões na parede, as freqüências dos professores na mesa pra assinar, aula
pra planejar, músicas para escolher, e achava tudo aquilo estranho. Mas como
estranho? Aquela era minha rotina, era o meu dia a dia, o trabalho que conhecia
como a palma da minha mão. Pois é, de repente a palma da minha mão parecia ser
de outra pessoa.
Queria sair dali. Até porque não
estava ali inteiramente. Estava só de corpo, mas meu pensamento e minha energia
estavam voltados para outro lugar: minha casa, meu pequeno. Como será que ele estava?
Será que estava comendo? Tinha tomado banho? Lembraram de dar o brinquedo que
ele gostava? Vixe! Tanta coisa que não conseguia me concentrar.
Mas sobrevivi ao primeiro dia.
Foi difícil. Mas consegui.
Chegou minha hora, voei pra casa.
E quando eu chego o melhor momento do dia, a sensação que todos falavam, mas
que agora era eu que estava vivendo, a hora do famoso sorriso de saudade. Nossa
que coisa boa! Entrar em casa e ver aquele sorrisão lindo se abrindo quando
você aparece. Recompensador! Deu até vontade de sair de novo e voltar só pra
ver aquele sorriso de novo.
Porém, o que ninguém tinha me
avisado, era que a volta ao trabalho não se resumia a esse bendito primeiro
dia. Ela é um processo, gradual e difícil de (re)adaptação àquela rotina, que antes
era tão fácil, mas que agora divide espaço com um monte de outras coisas. Me adaptei
até rápido ao ato de sair de casa e deixá-lo sob os cuidados de outra pessoa
(minha mãe, graças ao meu bom Deus!!!!). O difícil mesmo é conseguir dar conta
do seu trabalho agora que seus horários dependem dos horários do seu filho. Cumprir
todas as demandas, todos os prazos... Difícil.
Acordar ainda mais cedo (detalhe:
sem ter dormido a noite), dar conta do bebê, do marido, da casa, de mim mesma e
do trabalho. Injusta essa função (super) múltipla que nos impuseram, né,
mulheres? (Isso dá outro post. Feminista que sou ainda escrevo sobre isso um
dia...)
Uma coisa eu sei, nossas
prioridades mudam. Muito! Equilibrar as coisas é muito complicado por causa
disso. Mas vamos tentando.
Estava mesmo sentindo falta do
trabalho. Gosto de trabalhar, e preciso do trabalho (por várias questões,
principalmente valorização profissional). Mas a volta não é fácil. E pode durar
meses. Estou no terceiro mês e ainda me atrapalho toda, quando pensei que a
essa altura já estaria tirando tudo de letra. E o pior: conversando com amigas
mais experientes nesse quesito descobri que as coisas vão melhorar mesmo apenas
lá pra os dois anos do bebê... Aí eu vou inventar de ter outro... Já to vendo...
(rsrsrsrs).
Entretanto mesmo me atrapalhando
estou gostando. Voltar ao trabalho, se sentir útil em outro ambiente, para
outras pessoas, se sentir capaz de realizar outras tarefas. Tudo muito bom!
Além de saber que você está oportunizando assim um desenvolvimento mais
autônomo do seu filho. Permitindo que ele lide com a separação e com possíveis
conflitos (pois em toda idade temos conflitos) longe de você e aprendendo com
eles.
Mas é assim mesmo. O segredo é
manter a calma e fazer o que dá tentando não entrar em parafuso. Com paciência
as coisas vão entrando nos eixos e a gente vai retomando o gosto pelo trabalho.
Sem culpas ou pressões.
Nossa carreira também importante! Investir em nós, estar bem com o lado profissional nos ajuda no cuidado com o filho. Pois aí tendemos a sufocá-los menos, a cobrá-los menos.
E um dia as coisas se encaixam...
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