terça-feira, 15 de outubro de 2013

A volta ao trabalho...


Sempre ouvi minhas amigas falarem de como foi difícil voltar ao trabalho depois da licença maternidade. Mas não imaginava que era tãããão difícil.

Como funcionária pública, tenho direito a seis meses de licença maternidade. Ainda tinha férias para tirar, então ao total fiquei sete meses afastada do trabalho me dedicando exclusivamente à maravilhosa tarefa de ser mãe. Muito tempo grudadinha no rebento.

Passei todo o período da licença expulsando os pensamentos que vez ou outra vinham em minha mente sobre o momento do meu retorno. Até que chegou o último mês, a última quinzena, a última semana... Aí não dava mais. Tinha que encarar. Tentei me preparar, li artigos na internet, conversei, fiz preces, pedi socorro na internet de novo. Tudo!

O primeiro dia foi terrível! Chorei muito pra sair de casa e ainda fiz meu marido e minha mãe chorarem junto. Meu filho, coitado, nos olhava com aquela carinha de “o que é que tá acontecendo?”. Mas saí. Juntei forças, peguei o carro e fui. Chorando... Mas fui.

Chego ao trabalho, uma maravilhosa recepção dos meus colegas.  Que tornou tudo um pouco mais fácil. Bom saber que sentiram nossa falta! Mas mesmo assim foi muito esquisito. Me senti uma estranha no ninho, mesmo estando nesse ninho há mais de seis anos. Olhava em volta, lia os relatórios, via os calendários das reuniões na parede, as freqüências dos professores na mesa pra assinar, aula pra planejar, músicas para escolher, e achava tudo aquilo estranho. Mas como estranho? Aquela era minha rotina, era o meu dia a dia, o trabalho que conhecia como a palma da minha mão. Pois é, de repente a palma da minha mão parecia ser de outra pessoa.

Queria sair dali. Até porque não estava ali inteiramente. Estava só de corpo, mas meu pensamento e minha energia estavam voltados para outro lugar: minha casa, meu pequeno. Como será que ele estava? Será que estava comendo? Tinha tomado banho? Lembraram de dar o brinquedo que ele gostava? Vixe! Tanta coisa que não conseguia me concentrar.

Mas sobrevivi ao primeiro dia. Foi difícil. Mas consegui.

Chegou minha hora, voei pra casa. E quando eu chego o melhor momento do dia, a sensação que todos falavam, mas que agora era eu que estava vivendo, a hora do famoso sorriso de saudade. Nossa que coisa boa! Entrar em casa e ver aquele sorrisão lindo se abrindo quando você aparece. Recompensador! Deu até vontade de sair de novo e voltar só pra ver aquele sorriso de novo.

Porém, o que ninguém tinha me avisado, era que a volta ao trabalho não se resumia a esse bendito primeiro dia. Ela é um processo, gradual e difícil de (re)adaptação àquela rotina, que antes era tão fácil, mas que agora divide espaço com um monte de outras coisas. Me adaptei até rápido ao ato de sair de casa e deixá-lo sob os cuidados de outra pessoa (minha mãe, graças ao meu bom Deus!!!!). O difícil mesmo é conseguir dar conta do seu trabalho agora que seus horários dependem dos horários do seu filho. Cumprir todas as demandas, todos os prazos... Difícil.

Acordar ainda mais cedo (detalhe: sem ter dormido a noite), dar conta do bebê, do marido, da casa, de mim mesma e do trabalho. Injusta essa função (super) múltipla que nos impuseram, né, mulheres? (Isso dá outro post. Feminista que sou ainda escrevo sobre isso um dia...)

Uma coisa eu sei, nossas prioridades mudam. Muito! Equilibrar as coisas é muito complicado por causa disso. Mas vamos tentando.

Estava mesmo sentindo falta do trabalho. Gosto de trabalhar, e preciso do trabalho (por várias questões, principalmente valorização profissional). Mas a volta não é fácil. E pode durar meses. Estou no terceiro mês e ainda me atrapalho toda, quando pensei que a essa altura já estaria tirando tudo de letra. E o pior: conversando com amigas mais experientes nesse quesito descobri que as coisas vão melhorar mesmo apenas lá pra os dois anos do bebê... Aí eu vou inventar de ter outro... Já to vendo... (rsrsrsrs).

Entretanto mesmo me atrapalhando estou gostando. Voltar ao trabalho, se sentir útil em outro ambiente, para outras pessoas, se sentir capaz de realizar outras tarefas. Tudo muito bom! Além de saber que você está oportunizando assim um desenvolvimento mais autônomo do seu filho. Permitindo que ele lide com a separação e com possíveis conflitos (pois em toda idade temos conflitos) longe de você e aprendendo com eles.

Mas é assim mesmo. O segredo é manter a calma e fazer o que dá tentando não entrar em parafuso. Com paciência as coisas vão entrando nos eixos e a gente vai retomando o gosto pelo trabalho. Sem culpas ou pressões.

Nossa carreira também importante! Investir em nós, estar bem com o lado profissional nos ajuda no cuidado com o filho. Pois aí tendemos a sufocá-los menos, a cobrá-los menos.

E um dia as coisas se encaixam...










Nenhum comentário:

Postar um comentário