Eita que depois de um longo e
tenebroso inverno eu voltei a postar. Muitas demandas e às vezes o
cansaço me vencia, mas vamos lá.
Esses dias, por causa do Dia Internacional da Mulher, pensei muito em como estamos e na armadilha em que caímos.
Sou mãe de um menino de 1 ano e 2 meses e vivo o
constante dilema entre ser a mãe perfeita e ser apenas mãe (o que já dá um
trabalhão, esse post, por exemplo, está sendo escrito em suaves prestações
desde às 16h).
Desde a gravidez decidi que não iria tentar ser a
melhor mãe do mundo, e sim a mãe que meu filho precisaria para ser um bom
homem, saudável, responsável, humanizado, respeitador com todos, principalmente com as mulheres... Ou seja,
quero ser uma mãe suficiente para ele. Mas como saber quando estamos sendo demais? Como
saber exatamente o limite entre a necessidade do nosso filho para o seu desenvolvimento,e a
NOSSA
necessidade de sentirmos que estamos fazendo o máximo que pudemos? Me
vigio constantemente para não ser a super mãe, super protetora, pois
tenho a consciência de que se eu for meu filho terá grandes chances de crescer
se achando um super homem, que tudo pode e nada sofre. Não! Definitivamente não
é isso que eu quero.
Porém eu quero ser a mãe presente, a mãe que brinca com seu filho,
ensina as tarefas da escola, que transmite os valores e acalenta depois de uma
frustração. Mas ô dose difícil de se achar! Difícil porque a nossa consciência
racional às vezes se esconde quando se trata de amor!
Mesmo sabendo isso tudo ainda me pego sofrendo com a culpa por deixá-lo para trabalhar, por não conseguir evitar uma queda, uma topada, por ele não querer comer direito ou por comer algo que não julgo tão saudável, mesmo sendo um dia perdido, por ele não conviver com tantas crianças quanto eu gostaria, por ele não ir tanto aos parques, e por aí vai.
Mesmo sabendo isso tudo ainda me pego sofrendo com a culpa por deixá-lo para trabalhar, por não conseguir evitar uma queda, uma topada, por ele não querer comer direito ou por comer algo que não julgo tão saudável, mesmo sendo um dia perdido, por ele não conviver com tantas crianças quanto eu gostaria, por ele não ir tanto aos parques, e por aí vai.
E percebo que os pais não sentem a mesma culpa das mães. Por quê?
Pensava que era apenas pelas diferenças emocionais entre homens e mulheres, mas
não é bem isso. A nossa culpa é diretamente proporcional às cobranças e
críticas da sociedade. A mãe é criticada se o filho não toma muitos banhos ou
se toma banhos demais; se não amamenta é criticada, mas se amamenta até mais
tarde é condenada; se pega o filho no colo depois dele cair é super protetora,
se não o pega é uma mãe fria e distante; se o filho come doces a mãe não cuida
da sua alimentação, se não come a mãe é tirana; se o filho segue os horários
estabelecidos a mãe é radical, se não segue ela é relapsa. A mãe nunca é boa o
suficiente. Ao pai basta trocar uma fralda para ganhar admiração eterna e o
título de SUPER PAI!
Nos cobramos muito porque somos muito cobradas! Difícil!
E isso acontece porque quando nós, mulheres, assinamos o contrato de
emancipação feminina, aquele que ampliava nossos direitos, "elas"
estavam lá, escritas com letras miúdas e com cor de marca d'água no rodapé da
página. "Elas" são as danadas das cláusulas. E elas diziam que nós
até poderíamos trabalhar, votar, nos divertir, SE e SOMENTE SE fizéssemos tudo
perfeito, mas bem feito que os homens e que nossa casa e nossos filhos continuassem
impecáveis. Caso contrário sofreríamos com os julgamentos e condenações de toda
uma sociedade, que faria questão de nos mostrar a cada minuto que não somos
mulheres dignas desses direitos.
Não! Não somos perfeitas! Assim como os homens não são. Ninguém é! Luto,
e sempre lutei, pela igualdade de direitos (e de deveres) das mulheres. E hoje
entendo que dentre os nossos direitos deve estar garantido o de sermos
imperfeitas!